Diário abandonado — Dia 2, mês do vento de 1851

Dishonored 2

Da minha janela, eu te vejo uma vez por semana. Você se encosta em uma parede azul clara e abre um livro. Reparei que tem dois chapéus, um de palha e um de tecido. Os dois em tom pastel. Você evita o sol, uma gentileza com a sua pele clara. Embora nunca tenha visto levantar as calças acima dos tornozelos. Modéstia, será?

Ah, como eu gostaria de poder sair mais uma vez.

Nas profundezas das minas de prata pela manhã, eu quase não via a luz do sol. O acidente foi há quase cinco anos. A explosão me deixou de bruços, esmagou a maioria dos companheiros no meu grupo e as minhas pernas, derrubando toneladas de pedras negras e terra. Os seus gritos de agonia abafados ainda ecoam nos meus ouvidos.

Não posso mais minerar ou trabalhar. Os meus dias eu passo sentado nesta cadeira retorcida, olhando pela minha janela. Um pouco de luz diminui a dor nas minhas pernas por algumas horas todos os dias. Meu coração aguarda a próxima vez em que verei você descansando na sombra daquela parede azul.

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