Os meus pensamentos voam de um lado a outro. Estou à mercê do meu cérebro envelhecido. Sinto o cheiro de uma laranja, e uma memória é ativada! Volto a ser um garoto na escola, sofrendo com a crueldade da Professora Olliphant, com as suas perucas terríveis e cheiro de lã velha. A lã me faz lembrar dos meus ternos, que costumava mandar fazer sob medida. Os ternos me lembram que eu já fui um homem bem posicionado. E logo estou pensando nas minhas crueldades, feitos terríveis realizados em nome da ciência, do progresso ou da ganância. E logo sou preenchido por arrependimento e culpa. E, repentinamente, estou com fome ou pensando nos meus joelhos ou em uma soneca.
E se eu pudesse acalmar a minha mente e me dedicar a uma tarefa – pintura, digamos, como hoje – de pouco adiantaria. É curioso, pois quando achei que aproveitaria o descanso e expandiria as minhas pinturas, meus olhos não estão mais tão aguçados, e minhas mãos tremem inesperadamente. O cheiro das tintas ataca o meu nariz e confunde os meus pensamentos. Elas sempre tiveram esse cheiro?
Mesmo assim, comecei a trabalhar em uma obra. Ainda não tenho um nome para ela.