Dia 4 do mês dos clãs
Já está apodrecendo, e o curandeiro disse que eu preciso manter o emplastro nela por pelo menos mais um dia. Ele queria fazer uma sangria em mim, mas eu saquei a minha lâmina e fiz ele mudar de ideia. Mas nem tudo está perdido, porque agora eu sei que não é a profundidade do corte que importa nas tatuagens. Mais fundo só faz sair mais pus. Não tem nada de mágico nisso.
Dia 12 do mês das canções
Finalmente percebi que não basta ter uma tatuagem. A tatuagem não é nada além de uma imagem bonita na sua pele. Só isso.
Então estive estudando as marcas no amuleto do Paolo. Não sei onde ele conseguiu aquela mão morta e seca... ele nunca fala disso comigo diretamente. Se acontecer alguma coisa – ele vai levar uma bala na testa e uma espada no estômago, enfim – aí, ele volta para o quartinho secreto dele, ao lado do escritório, como se nada tivesse acontecido. Talvez, algum dia, eu beba um pouco mais do que o normal e pergunte a ele diretamente.
Enfim. É algo de outro mundo. Vejo isso só de olhar. Tenho uma sensação estranha de perto. Gostaria de poder ver as marcas melhor. Aposto que tem ervas especiais ou algo assim na tinta. Ou talvez não sejam ervas, e sim algo mais. Talvez sejam miolos de baleia ou asas de moscas-de-sangue moídas. Ou talvez seja algo lá das minas.
Dia 25 do mês das canções
Sangue de baleia na tinta não dá certo. Estou me sentindo muito estranho. A cabeça está latejando mais do que quando eu era jovem e um outro garotinho me bateu bem na testa com um tijolo, logo antes de eu jogar ele da torre de água. E a tatuagem não está cicatrizando direito.